Bem-me-quer ou malmequer?

O jogo que nos mostra se o nosso amor é correspondido ou não. Afinal de contas, as margaridas nunca se enganam.



Somos crianças a brincar no parque, estamos de mãos dadas com a nossa mãe a percorrer os jardins da cidade, quando paramos abruptamente e dizemos: “mãe, que flor tão bonita!” E sem sabermos bem porquê, começamos a desfolhar as pétalas da margarida, aos saltos e com um sorriso na cara, enquanto cantarolamos “bem-me-quer ou malmequer, bem-me-quer ou malmequer”. E continuamos, já com os nervos à flor da pele, até chegarmos à última pétala. É o dia do veredicto. No fundo sabemos que aquela flor pode ditar o resto da nossa vida. E suspiramos de alívio quando arrancamos a última pétala ao mesmo tempo que dizemos “bem-me-quer”. Naquele momento não há nada nem ninguém que nos possa derrubar. Somos as crianças mais felizes que aquele jardim já viu. Voltamos a dar a mão à nossa mãe e vamos para casa com um sorriso na cara. Tudo o que precisávamos era de uma flor. Era tão fácil ser feliz.


Temos que agradecer aos nossos amigos franceses por terem criado este jogo (chamado effeuiller la marguerite, em francês) que já colocou tantos sorrisos na cara das pessoas. Todos nós, em algum momento da nossa vida, já fizemos (ou vimos alguém fazer) aquilo que foi descrito em cima. Nem que fosse só para saber se a pessoa de quem gostávamos também gostava de nós. Caso calhasse malmequer, o melhor era nunca mais falar com a pessoa em questão, até porque todos sabemos que as flores nunca se enganam. São elas que revelam os sentimentos dos outros, especialmente se forem margaridas. Aquelas flores com pétalas brancas e que no meio são da cor do sol, de que tanto gostam. Aquelas que sobrevivem a tudo, menos às mãos de quem as arranca. São consideradas as flores do amor, da sensibilidade, da juventude, da inocência, da pureza e do afeto. E também são elas que nos mostram se o nosso amor é correspondido ou não.


A verdade é que isto é apenas uma brincadeira, mas deve haver por aí quem a tenha levado demasiado a sério. Pobre da flor, que lhe vê serem arrancadas parte do seu corpo só para iludir alguém durante uns minutos.


“Para quê desfolhar a margarida, se ela tão bem nos quer?”


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