Cleptomania: Quando roubar se torna um vício

Calma, antes de começar, é melhor dizer já que eu não sou cleptomaníaca. Mas há quem seja. E até há bem pouco tempo eu não fazia ideia que existiam pessoas com este transtorno. Aliás, só fiquei a conhecer a cleptomania depois de ver a série Trinkets da Netflix, que conta a história de três raparigas que se conhecem numa reunião de Cleptomaníacos Anónimos. Fiquei curiosa e fui pesquisar mais sobre este transtorno que, afinal, não é assim tão incomum.



A cleptomania é um transtorno que faz com que as pessoas não consigam controlar o impulso em roubar determinados objetos, sem qualquer motivação por trás. É diferente de um roubo planeado - como aconteceu em La Casa de Papel - porque quem está a roubar não o faz porque precisa ou porque se interessa pelo valor monetário. É algo espontâneo, que acontece sem qualquer razão aparente. Não o fazem por questões económicas, mas sim porque se vêm “forçadas” pelo seu subconsciente. O facto de ser algo que se faz em segredo faz com que seja um problema difícil de diagnosticar. E quando não é diagnosticado, aquilo que no início era só uma pastilha no café, depois passa a ser uma jóia que custa milhares de euros. Já para não falar que pode prejudicar as relações com outras pessoas, caso não se consiga controlar e acabe por roubar algo que é dos amigos ou família. Quem tem este transtorno não consegue resistir à vontade de roubar e quando o faz sente alívio ou prazer, ainda que se sinta ansioso e tenso antes do ato. No entanto, também têm sentimentos de culpa e arrependimento mas, na altura, o impulso é mais forte do que tudo o resto. É um comportamento atípico e classifica-se como esporádico, episódico e crônico - quando há muitas crises em pequenos intervalos de tempo. Ainda assim, é possível ajudar aqueles que sofrem com este transtorno através de um profissional de psicoterapia, que o ajuda a compreender quais os fatores emocionais que o levam a ter estes impulsos.


Esta necessidade de roubar é muito mais comum do que se pensa e até há casos de figuras públicas que sofrem deste transtorno. Uma delas é a atriz norte-americana Winona Ryder, que faz de Joyce Byers - mãe de Will - em Stranger Things. Mas calma que isto aconteceu em 2001, por isso não precisam de se preocupar. A atriz foi apanhada a roubar mais de 5 mil dólares em peças de roupa e acessórios da loja Saks Fifth Avenue, em Beverly Hills, na Califórnia. Quem a acusou foi uma das seguranças da loja e Winona Ryder acabou por ser condenada a três anos em liberdade condicional e ainda fez terapia. A atriz justificou tudo ao dizer que sofria de cleptomania e ainda disse que ter sido apanhada foi a melhor coisa que lhe aconteceu, porque permitiu tratar esse distúrbio psicopatológico.


Geralmente, os cleptomaníacos são pessoas deprimidas e têm consciência de que estão a agir de forma errada. E essa noção faz com que muitos dos que têm estes impulsos tentem resistir ao seu subconsciente, porque sabem que não é correto e sabem que, se forem apanhados, vão ter que cumprir as consequências dos seus atos. Em Portugal, ainda não existe uma grande preocupação com este distúrbio e o que acontece é que as pessoas com cleptomania são punidas com penas de prisão e não são acompanhadas por qualquer tratamento médico, sendo que é um problema de saúde mental. Muitos têm medo de procurar ajuda médica com o medo de serem julgados. Aliás, a maior parte das pessoas com cleptomania só procura tratamento depois de terem sido apanhadas. Por esse motivo, também não se sabe ao certo quantas pessoas sofrem desta perturbação. Por isso já sabem, quando os vossos amigos vierem com a conversa de que toda a gente já roubou alguma coisa na vida, o melhor é manterem-se alerta. Nunca se sabe se estamos perante um cleptomaníaco. E se isso for o caso, não se esqueçam de o ajudar.

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