“Deus-dará”. Mas dará a quem?

Já todos ouvimos a famosa expressão “ao Deus-dará”, que significa que algo ou alguém está abandonado ou largado à própria sorte, que só pode aguardar as coisas vindas de Deus. Mas de onde é que surgiu esta expressão tão conhecida da língua portuguesa?



A expressão não tem uma, mas sim duas origens populares: origem europeia e origem brasileira. E, até hoje, ainda não se sabe ao certo qual foi a responsável pelo surgimento da expressão.


Vamos então começar pela origem europeia. Diz-se que a expressão surgiu numa altura em que os mendigos e pedintes andavam espalhados pelas ruas de Portugal e a população afastava-se cada vez mais do hábito de dar esmolas. Isto porque eram pessoas religiosas e acreditavam que o desejo divino era justo e, portanto, nunca iria deixar alguém sem as condições necessárias. Assim, quando os mendigos pediam “uma esmolinha, por amor de Deus”, as pessoas começaram a responder “Deus dará”. Os mendigos, que tinham carências económicas e dependiam da esmola para comprar comida e sobreviver, eram deixados à própria sorte ou, por outras palavras, deixados nas mãos de Deus. Andavam ao “Deus dará”.


No Brasil a expressão surgiu por motivos diferentes, segundo o autor Reinaldo Pimenta. Para percebermos a sua origem, temos que regressar ao século XVII, quando a região de Recife ainda estava sob o domínio da Corte portuguesa. Diz-se que a expressão surgiu numa fazenda do Recife, em Pernambuco. E quem a começou a usar foi o comerciante Manuel Álvares, que costumava ajudar os soldados com mercadorias. Quando não havia material disponível, Manuel Álvares costumava dizer que, apesar da falta de recursos, “Deus dará!” Usou-a tantas vezes que se começou a chamar Manuel Álvares Deus Dará, nome que acabou por passar para os filhos. A expressão ficou tão conhecida que sempre que os soldados precisavam dos recursos de Manuel Álvares, diziam que iam “ao Deus dará”.


Apesar de não se saber qual das origens foi realmente a primeira, o que é certo é que a expressão se mantém até aos dias de hoje. Eu, por exemplo, sou uma grande adepta desta ideologia. Tanto que, antes de um teste ou exame, fico sempre à espera que Deus me dê uma esmola. Neste caso, uma boa nota. Um 10 chega.


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