Dia Mundial da Consciencialização do Autismo

2 de Abril. O Dia Mundial da Consciencialização do Autismo. Uma em cada 132 crianças são autistas. Há mais de 70 milhões de pessoas com Autismo no mundo. Ainda assim, a sociedade muitas vezes não está preparada para lidar e educar as crianças que sofrem deste transtorno. O objetivo do Dia Mundial do Autismo é esse mesmo: consciencializar e esclarecer a população mundial sobre esta perturbação neurológica.

Conhecido por Transtornos do Espectro Autista, o Autismo pertence a um grupo de doenças de desenvolvimento cerebral. É um distúrbio neurológico, sem cura, que dificulta a interação social e a comunicação verbal e não-verbal. Um distúrbio que leva as crianças a terem um comportamento restritivo e repetitivo e que afeta o processamento das informações no cérebro. A forma como vêm e experienciam o mundo é diferente e, por esse motivo, nunca sabemos o que se passa dentro da cabeça destas pessoas. Uma criança autista não tem a mesma capacidade de aprendizagem do que uma criança sem distúrbios deste género. Por isso é que é tão importante que as escolas estejam preparadas para lidar com todas as situações. As maiores dificuldades das pessoas com Transtorno do Espectro Autista são a dificuldade na aprendizagem, na fala, na forma de expressar ideias e sentimentos, nos relacionamentos e no contacto visual. Dependendo do grau de autismo, podem ainda existir padrões e movimentos repetitivos, como ficar muito tempo a balançar o corpo. Também é comum terem comportamentos agressivos e interesses por algo em específico, como aves ou carros. É possível perceber alguns destes sintomas quando as crianças são pequenas, entre os 2 e os 3 anos de idade. No entanto, em certos casos, o diagnóstico só é feito mais tarde. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, mais cedo a criança pode ter o devido tratamento. Apesar de não ter cura, os sintomas podem ser atenuados. Os principais objetivos do tratamento são estimular o desenvolvimento social e comunicativo, melhorar a aprendizagem e a capacidade de solucionar problemas e diminuir os comportamentos que dificultam a aprendizagem.

No que diz respeito a Portugal, já há várias entidades e organizações que se dedicam a esta realidade, como a Federação Portuguesa do Autismo, a Vencer Autismo, a Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo de Lisboa, Setúbal e Norte e a Associação de Amigos do Autismo. Todas estas associações têm como objetivo defender os direitos das pessoas com Perturbações do Espectro do Autismo, assim como ajudar no desenvolvimento, educação, integração social e participação na vida ativa. Na escola têm sempre uma ajuda especial, mas ainda há professores e alunos que não sabem como lidar com crianças autistas. Uns agem melhor, outros pior. Apesar de, em todas as escolas, existir uma unidade que serve de apoio à integração destes, a verdade é que eles também fazem parte da escola e da turma. É muito importante que os alunos da turma onde estão inseridos os façam sentir bem-vindos e integrados. Que brinquem e conversem com eles, que os ajudem quando têm dificuldades e, sobretudo, que nunca, jamais, gozem ou tentem irritá-los. Apesar de terem acompanhamento especializado que os ajuda a integrar-se, esta integração também parte muito dos alunos e professores. Se para pessoas que não têm este transtorno o dia a dia na escola pode ser complicado, imaginem para quem tem dificuldade a comunicar-se e a integrar-se. Há que ter compaixão e empatia pelos outros. Não só na escola, mas também fora dela. Porque as crianças com Perturbações de Espectro Autista não vão ser sempre crianças. Aliás, 70% das pessoas com autismo são dependentes. E têm direito a trabalhar, assim como qualquer outra pessoa. Mas será que existe, de facto, inclusão dos autistas na sociedade portuguesa? Ou podíamos fazer muito mais e melhor?

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