O consumismo nas promoções: não compres hoje o que não precisas amanhã

Há quem espere pelas promoções para comprar um artigo caro que vai ficar a metade do preço. Por outro lado, há quem aproveite os saldos para comprar tudo e mais alguma coisa, mesmo aquilo que não precisa para nada. Mas como está a metade do preço - às vezes nem isso - a vontade de comprar o artigo pode ser difícil de controlar. Somos levados por impulso e fazemos investimentos sem consciência. O consumismo nas promoções pode ser um problema, mas como qualquer outro, não é impossível de ser combatido. Basta ser mais consciente e ter muita força de vontade.


O dia mais louco em Portugal no que diz respeito às promoções é a Black Friday e mesmo assim não é nada comparado com o que se passa nos Estados Unidos. Ainda assim, se te meteres num centro comercial nessa “sexta-feira negra”, esperam-te filas enormes em cada loja. As pessoas enlouquecem e não vêem mais nada à frente. O artigo pode só ser um euro mais barato, mas isso pouco importa. Se está em saldos, vai para o carrinho. Admito que também eu sou uma dessas pessoas e descontrolo-me quando há promoções. Por esse mesmo motivo é que achei por bem escrever um artigo sobre como controlar o consumismo nos saldos. Pode ser que finalmente me entre na cabeça.

O consumo consciente é importante não só para nós - porque poupamos o dinheiro - como também para o meio-ambiente. O modelo atual de consumo tem causado um impacto ambiental e, neste momento, a humanidade já consome 30% mais recursos naturais do que a capacidade de renovação da Terra. Se continuarmos assim, em 50 anos (ou menos), vamos precisar de dois planetas para satisfazer as necessidades básicas do ser humano: água, energia e alimento. Quanto mais comprarmos, maior será a pegada ambiental. Por isso é que é tão importante conseguirmos controlar os nossos impulsos nas promoções.

As promoções da Black Friday e muitas outras que acontecem ao longo do ano incentivam o consumo excessivo - visto que vivemos num mundo capitalista em que o lucro é o único objetivo - e somos motivados por um sentimento de posse, e não por bem-estar e necessidade. O objetivo dos descontos é precisamente encorajar as pessoas a comprarem o que não precisam para dar lucro à loja. No final do ano, temos de fazer mais uma limpeza ao armário porque estamos cheias de roupa que já não usamos.

É essencial reforçar que o consumo consciente não significa deixar de comprar, mas sim pensar duas vezes antes de trazer algo connosco. Perguntar a nós próprios se aquele artigo faz falta naquele momento e se é indispensável na nossa vida. Se a resposta for não, então o mais certo seria deixá-lo descansado na loja. Outra opção é também começar a comprar produtos sustentáveis e mais amigos do ambiente. Assim, podemos consumir sem nos sentirmos culpados porque não estamos a fazer mal ao nosso planeta. Cada vez mais há lojas com artigos em segunda mão, artigos que parecem completamente novos e muitas vezes a metade dos preços. Se optarmos por essas lojas, para além de pouparmos dinheiro, evitamos que essa roupa seja deitada ao lixo. Junta-se o útil ao agradável. Não é tão bom?

Se planearmos com antecedência as nossas compras, se avaliarmos o impacto e se comprarmos apenas aquilo que precisamos, os sacos que vamos levar para casa não vão estar assim tão cheios. E por falar em sacos, não se esqueçam de os levar convosco sempre que fazem compras para não serem obrigados a dar dinheiro a mais plástico. Já basta todo o exagero de plástico que vem nas embalagens. E, por último, para que as nossas ações façam realmente a diferença, é importante espalharmos a mensagem a todo o nosso círculo social. Aos amigos, familiares, namorados e colegas de trabalho. Consciencializar quem nos rodeia é mais um passo gigante para um mundo mais verde. A mudança começa em nós.

Vamos cuidar da nossa casa?

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