O povo é quem mais ordena


Dia 24 de janeiro é dia de votar. É dia de cumprirmos o nosso dever cívico enquanto cidadãos deste país. É dia de usufruirmos do nosso direito de voto, que tanto nos custou a conquistar. É dia de agradecer por termos oportunidade de escolher quem queremos como Presidente do nosso país, depois de termos vivido mais de 40 anos sob ditadura. É dia de fazermos a diferença. Não deixem de votar por acharem que o vosso voto não conta para nada. Não deixem que os outros votem por vocês. Não deixem que a taxa de abstenção volte a ser mais de 50%. Sejam cidadãos ativos e não tenham preguiça de se levantar do sofá para irem votar. Não custa nada e pode fazer toda a diferença. O nosso voto é a nossa voz, por isso não se deixem ficar calados.


São sete candidatos e a escolha é apenas uma. Para quem não está bem dentro do assunto, isto pode ser um bicho de sete cabeças. Mas parte de nós transformarmos esse bicho para um de uma cabeça só. O que não falta por aí são sítios que nos dão informações sobre o mundo da política em Portugal e que nos ajudam a conhecer cada candidato. Por isso, já sabem: não há desculpas!


E para vos dar apenas um pequeno vislumbre do que cada candidato representa, deixo-vos aqui um pouco de cada um.


Ana Gomes


Ana Gomes tem 66 anos e anunciou a candidatura a Presidente da República a 8 de setembro. Apesar de ser militante base do PS, não tem o apoio oficial do partido para as eleições presidenciais, ao contrário do PAN e do Livre, que lhe dão apoio partidário. Diz não ter medo de ir contra interesses instalados e quer “prosperidade partilhada, emprego decente, habitação, justiça social, equidade fiscal, sistema judicial eficaz, equilíbrio ecológico”. No discurso de candidatura, Ana Gomes admite dedicar-se a promover a liberdade e os direitos humanos, integridade, boa governação e segurança. No que diz respeito às alterações climáticas, pretende acabar com o recurso aos combustíveis fósseis e com a depredação de florestas e a poluição nos rios e oceanos. Defende o Serviço Nacional de Saúde mas não é contra o recurso a privados, embora não aceite que ganhem lucro à conta do SNS. Em relação ao Estado de Emergência, pediria ao Governo e à Assembleia da República que aprovassem uma lei de emergência sanitária. É a favor da despenalização da eutanásia e considera que é uma questão de direitos humanos fundamental. Para a candidata, as áreas prioritárias para investir os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência são as que dizem respeito ao apoio aos desempregados, à transição energética para responder à emergência climática, à criação de indústrias, à economia do mar e a uma economia sustentável. Distingue-se das candidaturas de Marisa Matias e João Ferreira, sobretudo na área de Segurança e Defesa. É defensora da política europeia de segurança e defesa.



André Ventura


André Ventura tem 37 anos, é deputado, foi professor de direito e comentador de futebol na televisão. Esteve cerca de 18 anos no PSD e em 2019 fundou o Chega, onde é Presidente. Diz ser um candidato anti-regime e já admitiu que não vai ser o Presidente de todos os portugueses, mas sim apenas dos portugueses de bem, ou seja, daqueles que não são criminosos ou que sobrevivem dos subsídios. Quer reduzir o número de deputados na Assembleia da República e quer diminuir as funções do Estado. Admite que não gosta da Constituição e que quer alterá-la, dentro dos mecanismos que ela estabelece. Tem votado contra o Estado de Emergência e considera que o Governo tem permitido medidas que não fazem sentido, como encerrar os estabelecimentos às 13h nos fins-de-semana. André Ventura defende a castração química e a prisão perpétua em casos de homicídio, abusos sexuais e terrorismo. Pessoalmente, é contra a despenalização da eutanásia, mas reconhece que, se fosse Presidente, iria ouvir os portugueses e preferia que a decisão fosse tomada por um referendo. Relativamente ao Serviço Nacional de Saúde, considera que deve existir um maior investimento para que o SNS seja mais forte, mas critica a “cegueira ideológica” do Estado em relação aos outros serviços de saúde. Para o candidato, as áreas prioritárias para investir os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência são a saúde, a justiça e os setores que mais ficaram afetados pela pandemia, como o turismo, a restauração, o comércio e o setor cultural.




Marcelo Rebelo de Sousa


É o atual Presidente da República e tenta agora o segundo mandato, com o apoio do PSD, CDS-PP e de parte do PS (não oficial). Neste segundo mandato, admite que vai obedecer aos mesmos princípios: a proximidade, estabilidade e a procura de compromisso. Candidata-se novamente porque quer mudar Portugal para melhor, “na economia, mas sobretudo, no dia a dia, reforçando a coesão social e territorial combatendo a pobreza e a exclusão, promovendo o emprego com investimento, crescimento e melhor distribuição de riqueza”. Pretende evitar crises políticas, independentemente do elenco governativo. Considera que o SNS é insubstituível e que é necessário um maior investimento. No que diz respeito ao Estado de Emergência, admite que se vai manter até que o número de casos diminua significativamente e até que exista estabilidade nos internamentos e cuidados intensivos. Pessoalmente, é contra a despenalização da eutanásia mas admite que promulgava a lei. Para Marcelo Rebelo de Sousa, as áreas prioritárias para investir os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência são a saúde, a transição da energia do digital e também o combate à pobreza e às desigualdades.



Marisa Matias


É militante do Bloco de Esquerda desde 2004 e deputada ao Parlamento Europeu desde 2009. Tem 44 anos e é a segunda vez que se candidata à Presidência da República, depois de ter ficado em terceiro lugar em 2016. Considera que é fundamental continuar a aumentar o investimento no Serviço Nacional de Saúde, para reforçá-lo e alargá-lo a novas dimensões. Quer um SNS que responda de forma mais eficaz em todo o território. Defende uma economia mais transparente e justa, que permita criar mais empregos e melhores salários. Caso chegue a Presidente da República, compromete-se a contribuir para a estabilidade política e promete combater a corrupção e discriminação. Marisa Matias quer um regime capaz de resolver problemas sociais graves, que já existem há muito tempo mas que se intensificaram com a pandemia. Pretende impor “medidas corajosas de controlo público, de reforço de incompatibilidade , de investigação e repressão do crime económico, financeiro e fiscal, de escolhas estratégicas pelo ambiente e pelo emprego”. Uma das diferenças significativas de Marisa Matias em relação a Ana Gomes diz respeito à integração europeia e em áreas como a Defesa, a Segurança e o militarismo. Para Marisa Matias, os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência devem ser usados para a proteção laboral, para a criação de empregos de qualidade, para investir no SNS e para responder a todas as áreas que ficaram mais afetadas pela pandemia e aos problemas estruturais que já existiam antes disso.



João Ferreira


João Ferreira tem 42 anos, é deputado do Partido Comunista Português no Parlamento Europeu e é a primeira vez que se candidata à Presidência da República. Como Presidente, pretende lutar contra o desemprego, a precariedade, os baixos salários e o desinvestimento em serviços públicos. Defende a Constituição mas diz que há direitos que não estão a ser respeitados, como a igualdade de género e o direito à resistência a quem ofende os direitos dos trabalhadores. Pretende melhorar a distribuição da riqueza nacional e valorizar os setores produtivos nacionais, que considera que não estão a ser aproveitados ao máximo. Garante que vai defender os direitos da classe trabalhadora e lutar pelos seus interesses. Admite que não vai ser um Chefe de Estado comprometido com interesses de grupos económicos e financeiros. É contra o Estado de Emergência por considerar que limita direitos, liberdades e garantias constitucionalmente consagradas. Defende sim medidas de emergência, como o reforço do Serviço Nacional de Saúde, assim como o reforço dos profissionais, de equipamentos e infraestruturas que protejam os grupos mais afetados pela pandemia. Crítica o desvio de recursos públicos para sustentar grupos económicos privados. Pretende um reforço do investimento no SNS, nos setores de população mais atingidos pela pandemia e nas políticas de habitação e transportes. Com os fundos europeus, pretende também um maior investimento na ampliação e dinamização dos setores produtivos nacionais, para diminuir a dependência das importações nas áreas da agricultura, pescas e indústria.



Tiago Mayan Gonçalves


Tem 43 anos, foi militante do PSD e foi um dos fundadores da Iniciativa Liberal, em 2017. Segundo Tiago Mayan Gonçalves, candidatou-se à Presidência da República para dar voz a um espectro político liberal que não estava representado no país. Defende que o cidadão deve ser soberano e que deve viver a vida como achar melhor. Quer devolver o poder aos cidadãos porque diz que, nos últimos anos, o Estado tem bloqueado e limitado o poder de escolha e de decisão. Considera que este Estado de Emergência é inconstitucional e critica as restrições à circulação de pessoas. Admite que a pandemia veio expor as fragilidades do Serviço Nacional de Saúde e, por isso, defende que se deve usar toda a oferta de saúde disponível no país, incluindo os privados. É contra a nacionalização da TAP e qualquer outra empresa e defende que o prejuízo privado não se deve tornar num prejuízo público, pago pelos contribuintes. Para Tiago Mayan Gonçalves, os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência devem ir diretamente para as pessoas, para as micro e pequenas empresas e devem servir de apoio direto às atividades afetadas pela crise pandémica.



Vitorino Silva


Vitorino Silva tem 49 anos e foi Presidente da Junta de Freguesia de Rans entre 1994 e 2002. É a segunda vez que se candidata às eleições presidenciais, depois de ter conseguido 3,28% dos votos. Em 2019 fundou o partido RIR (Reagir, Incluir, Reciclar). Diz que a sua candidatura é considerada a “fora do sistema”. Pretende combater a violência doméstica, lutar por uma sociedade mais solidária e promover a igualdade e justiça entre direitos e deveres contributivos e salariais. Quer limitar os excessos da atividade bancária e financeira e limitar o poder da indústria do armamento. Para o candidato, as áreas da saúde, justiça e educação são algumas das suas prioridades. Defende ainda o sistema de transportes públicos e a liberdade de informação. É a favor da despenalização da eutanásia e diz que cada pessoa tem liberdade de escolha. Para Vitorino Silva, a área prioritária para investir os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência é a área da saúde, devido ao momento que vivemos atualmente e à necessidade de agir rapidamente.



Para mais informações relativamente aos candidatos: https://www.publico.pt/presidenciais-2021/sete-temas-sete-candidatos ; https://www.euvoto.pt/


Para verem o vosso local de voto: https://www.recenseamento.mai.gov.pt/


Dia 24 é dia de fazer a diferença. Não se assustem com as filas e não virem costas ao futuro do nosso país. Há quem tenha esperado 48 anos, não nos custa esperar uma hora. Não se deixem ficar calados, agora que temos voz. Isto só funciona se todos fizermos a nossa parte. Este é o nosso país e a mudança começa em nós. Eu voto! E tu, vais votar?


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