Os introvertidos também são gente

Tinha eu acabado de acordar, quando decidi pegar no telemóvel e ver uma Ted Talk. Não sei se foi obra do destino ou não, mas o primeiro vídeo que me apareceu foi o Poder dos Introvertidos, de Susan Cain (que podem ver aqui). E eu, como introvertida que sou, identifiquei-me com tudo o que ela disse.


Créditos: Pixabay


Mas, afinal, o que é isto de ser introvertido?


Não, não é uma pessoa tímida e muito menos antissocial. É alguém com um comportamento mais reservado e ponderado, que não se sente tão à vontade para falar em público ou no meio de muita gente. Na maior parte das vezes, prefere estar em lugares sossegados e não se importa de estar sozinho, o que não significa que seja solitário. Isto de ser introvertido num mundo que foi desenhado para os extrovertidos não é nada fácil. E assim sendo, como é que nos podemos encaixar aqui? Pois bem, temos de sair da nossa zona de conforto, respirar fundo umas quantas vezes antes de sair de casa e encarar uma personagem extrovertida durante o resto do dia. E isto acaba por tirar mais energia do que se fossemos correr numa maratona de 20km. No final do dia, já o fazemos de forma tão automática que nem nos apercebemos. Até porque, desde novos, sempre fomos ensinados e motivados a fazê-lo, principalmente na escola.


O sistema de ensino obriga-nos a trabalhar constantemente em equipa, a fazer trabalhos de grupo em disciplinas que, se calhar, faz mais sentido trabalhar sozinho. Com isto não digo que não deva existir este tipo de trabalhos, que fortalecem o espírito de equipa e são fundamentais para desenvolver as nossas habilidades sociais com os outros. No entanto, às vezes as nossas melhores ideias surgem quando estamos no nosso habitat natural, ou seja, quando estamos sozinhos com os nossos pensamentos. E quando há alguém que prefere trabalhar sozinho do que em grupo, essa pessoa é olhada de lado e é considerada estranha. A certa altura, até nos começamos a sentir culpados só por querermos estar sozinhos um bocado.


Entretanto crescemos, terminamos os nossos estudos e achamos que é agora que vamos poder ser introvertidos sem o julgamento dos outros. Mas não podíamos estar mais enganados. Porque depois da escola, vem o trabalho. E como vivemos atualmente num mundo de grandes negócios, temos de saber como nos destacar das outras centenas de pessoas que se candidatam ao mesmo trabalho que nós. De repente, o carisma, o magnetismo e o à vontade a falar com os outros são os atributos mais importantes para uma empresa que está à procura de um colaborador. E para quem é introvertido, este processo pode ser muito complicado e desgastante. Ao ponto de acharmos que não somos suficientemente bons para aquele trabalho, quando na verdade apenas não somos tão bons a comunicar como os outros. E era tão bom que se deixasse de colocar as pessoas de parte só porque são reservadas e não são tão faladoras. Não significa que não venham a ter ideias incríveis e que revolucionem o mundo. Não menosprezem os introvertidos. Afinal de contas, eles também são gente.


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