Os prós e contras do jejum intermitente

O verão está aí à porta e abril é o mês do tudo ou nada. Ou decidimos pôr mãos à obra para ter o tal “corpo de verão” (na verdade o corpo de verão é aquele em que vocês se sentem bem), ou passamos mais um ano com vergonha de ir à praia porque não estamos confortáveis com o nosso corpo, como é o meu caso. Durante vários anos tive (e ainda tenho) muita vergonha de ir à praia e começava logo no início do ano a fazer exercício e dieta para não me sentir tão mal comigo mesma. Todos os anos há dietas novas na Internet, que nos fazem acreditar que podemos perder 5 quilos numa semana. Não se deixem enganar, cada corpo é diferente e nem todos conseguem perder peso da mesma forma. Ultimamente, o que está na moda é o jejum intermitente, uma dieta que nem deve ser considerada dieta porque o objetivo é ficar sem comer durante algumas horas. O que vai contra muitas das dietas que já ouvimos falar, em que o ideal era comer de três em três horas. Com o jejum intermitente, isso não acontece.


O jejum intermitente consiste em não comer alimentos sólidos durante um certo número de horas. Há vários tipos de jejum e cabe a cada pessoa decidir qual prefere fazer. Inicialmente, é aconselhado o jejum de 16 horas, que consiste em ficar sem comer entre 14 a 16 horas (por exemplo não comer entre as 21h e as 13h). Há o jejum de 24 horas, que consiste em ficar um dia inteiro sem comer e pode-se fazer entre duas a três vezes por semana. O terceiro tipo de jejum (jejum de 36 horas) só deve ser feito sob orientação médica, uma vez que consiste em ficar um dia e meio sem ingerir alimentos sólidos. Por último, outro tipo de jejum é comer normalmente durante cinco dias por semana e nos restantes dois dias reduzir a quantidade de calorias. A única coisa que podemos ingerir durante o tempo de jejum são líquidos, como água, chá e café sem açúcar. Passado esse tempo, não há uma dieta rígida do que podemos ou não comer, mas supostamente deve-se evitar alimentos com grande teor de açúcar e gorduras. Depois do jejum, é aconselhado comer arroz, batata cozida, sopa, ovo cozido e carnes grelhadas ou cozidas. Por outro lado, os alimentos fritos ou com muita gordura, como batata frita, gelados, bolachas e salgados são alimentos a evitar.

Claro que isto só é aconselhado para pessoas saudáveis e mesmo assim convém sempre sermos acompanhados por um médico ou profissional de saúde. Como qualquer dieta, também o jejum intermitente tem os seus prós e contras. Vejamos então quais são as desvantagens e vantagens deste estilo de vida que anda muito na moda:

Prós

Uma das vantagens é aquela que todos querem quando pensam em fazer o jejum intermitente: perder peso. Mas há outras coisas boas, como melhorar a imunidade, potenciar a desintoxicação e melhorar a disposição e agilidade mental. O jejum intermitente também é conhecido por acelerar o metabolismo, apesar de existir quem diga o contrário. Supostamente, se fizermos jejuns curtos e controlados, o metabolismo fica acelerado e favorece a queima da gordura. Ajuda também a equilibrar hormônios do corpo que estão associados a perda ou ganho de peso, como diminuição da insulina e aumento da noradrenalina. Para além disto, faz-nos perder peso sem perder a massa muscular e elimina células defeituosas do nosso corpo. Outra vantagem do jejum intermitente é que este tem ação anti-envelhecimento, uma vez que estimula o organismo a viver mais tempo.

Contras

Acho que a maior desvantagem é, de facto, ficar tanto tempo sem comer. Principalmente para quem gosta de comer, como eu. Como nem tudo é um mar de rosas, tudo o que parece ser muito bom no início, a longo prazo tem as suas consequências. Ficar muito tempo sem comer pode deixar-nos irritados e de mau-humor. Já para não falar que, para quem não está habituado, pode sentir tonturas, dor de cabeça e mal-estar. Sempre nos disseram para evitarmos ficar sem comer durante muitas horas e agora, de repente, surge este jejum intermitente, que vai contra tudo aquilo nos ensinaram ao longo dos anos. Acaba por ser um pouco duvidoso. Se resulta ou não? Como tudo na vida, depende de cada pessoa. Mas que tem as suas vantagens e desvantagens, isso tem. Independentemente se estão a fazer dieta ou não, lembrem-se que a comida nunca deve ser vista como uma inimiga ou como algo que devemos fugir. O nosso corpo precisa de ser alimentado, temos é de saber como o alimentar bem para que ele “cresça” saudável.

O jejum intermitente está na moda porque aquilo que as pessoas mais gostam é de perder peso o mais rapidamente possível. Eu incluída. O facto de vermos mudanças logo no dia seguinte pode ser mais motivador do que “dietas normais”, em que se calhar demoramos uma semana a perder um quilo, ou nem isso. A verdade é que as dietas que nos fazem perder peso mais rápido, são também aquelas que nos fazem voltar a ganhar esse peso que perdemos mais tarde. O mais difícil às vezes nem é perder peso, mas sim conseguir mantê-lo a longo prazo. Cabe a cada um decidir que dieta quer seguir porque, felizmente, temos livre arbítrio e liberdade de escolha. Perder peso é um processo complicado e pode ser desmotivador. Há dietas que não resultam connosco e por isso é que é tão importante conhecermos e ouvirmos o nosso corpo e perceber aquilo que ele precisa, sem nunca nos compararmos com os outros. Vamos tentar, errar, desistir umas quantas vezes e voltar a tentar. Até conseguirmos. No final do dia, o que importa é sentirmo-nos bem. Com dietas ou sem dietas.


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