Porque é que os bebés vêm da cegonha?

A pergunta que todos os pais temem: de onde vêm os bebés? Quando as crianças ainda são novas e não há necessidade de explicar como é que, de facto, vêm os bebés, a resposta é simples: eles vêm da cegonha. Mas porquê da cegonha? De onde é que surgiu esta história?

Esta crença surgiu na Europa e popularizou-se no século XIX com o conto “As Cegonhas” do dinamarquês Hans Christian Andersen. Dizer que os bebés vêm da cegonha foi a forma que os adultos encontraram para responder às crianças, sem entrar em detalhes sobre o sexo. É muito mais fácil dizer que as cegonhas entregam o bebé à mãe, mesmo que isso não faça muito sentido. É sempre nos momentos em que estamos mais desprevenidos que as crianças fazem esta pergunta. O mito da cegonha foi a opção mais fácil para evitar o constrangimento. Durante o dia, as cegonhas deixavam para trás os seus ninhos e iam à procura de crianças por nascer. Assim como as prendas do Pai Natal, os recém-nascidos eram entregues pela chaminé. Quem não tem o privilégio de ter uma chaminé em casa, não recebe nem prendas nem bebés.

Mas porquê as cegonhas? Porque não outras aves? A resposta é fácil. As cegonhas são aves enormes, grandes e fortes o suficiente para transportarem um recém-nascido. Já para não falar que elas gostam de regressar na primavera, estação conhecida por ser a época de renovação e renascimento. Estas aves são conhecidas por cuidarem bem das suas crias e são um símbolo da maternidade. Para além de cuidarem bem das suas crias, acreditava-se que as cegonhas também cuidavam dos pais quando já estavam velhos e cansados. Este respeito por quem as criou fez com que fosse criada a “Lei da Cegonha”, na Grécia Antiga. Segundo esta lei, os filhos eram obrigados a cuidar dos progenitores na velhice. Quem não a cumprisse, era punido.

Para além do conto, diz-se também que a lenda tem alguma base histórica. No tempo dos antigos romanos, a cegonha-branca estava associada à deusa Hera. A deusa da mitologia grega protegia os casamentos, ajudava os casais a ter filhos e ainda ajudava as grávidas. É o símbolo da monogamia, da fidelidade e da fertilidade.

A lenda da cegonha tornou-se tão popular que até já deu origem a alguns filmes e curtas-metragens. Uma delas foi o Partly Cloudy, uma curta-metragem animada da Pixar, escrita e dirigida por Peter Sohn e produzida por Kevin Reher. Sohn diz que teve a ideia depois de ter visto uma cegonha entregar o Dumbo, no tão conhecido filme de animação da Disney. Na curta-metragem de 5 minutos, são as nuvens que estão no céu que criam os bebés. Podem ser meninos e meninas, gatos ou cães. As cegonhas vão buscar os recém-nascidos ao céu para serem entregues aos futuros pais.


Outro filme que aborda esta lenda é a animação “Cegonhas”, de Doug Sweetland e Nicholas Stoller. Estreado em 2016 e inspirado nesta fábula antiga, o filme fala sobre o mito da cegonha, mas de uma forma mais industrializada do conceito. A carreira das cegonhas começou na entrega dos bebés, mas foram promovidas e agora trabalham para uma loja online. São uma espécie de Amazon, mas com muito mais estilo. Foram apanhadas no mundo capitalista e agora têm que corresponder às necessidades da sociedade materialista. A entrega de recém-nascidos ficou no passado e era até um assunto proibido entre as aves. Até que, um dia, um menino ativou um pedido de entrega de um bebé porque tinha o sonho de ter um irmão mais novo. E é a partir desta premissa que o filme se desenvolve.

O mito ganhou fama no século XIX e ainda hoje é a resposta que se dá quando as crianças perguntam de onde vêm os bebés. Será que se vai manter por mais tempo? Ou a nova geração vai arranjar uma resposta diferente?


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