Soul: A eterna busca pelo sentido da vida

Soul foi o primeiro filme que vi em 2021 e, sinceramente, acho que não podia ter escolhido melhor filme para começar o meu ano. Entre mantas e com pipocas do meu lado esquerdo, pensava que estava tudo preparado para esta sessão de cinema de uma hora e meia no meu quarto. Mas eu não estava preparada para o que ia assistir. Sabia que era um filme sobre um homem que sonhava tocar piano numa banda de jazz. Não sabia mais do que isto, até porque não vi o trailer nem li a sinopse. E fui percebendo, ao longo do filme, que isto era muito mais do que alguém a percorrer o seu sonho. É sobre o nosso propósito e a forma como vivemos a nossa vida.


Sinopse


O que é que te faz ser… TU? O novo filme da Pixar Animation Studios apresenta Joe Gardner, um professor de música do ensino básico que tem a oportunidade da sua vida para tocar no melhor clube de jazz da cidade. Mas um contratempo leva-o das ruas de Nova Iorque à Grande Ante-vida, um sítio fantástico onde as novas almas ganham personalidade, características e interesses, antes de irem para a Terra. Determinado a regressar à sua vida, Joe junta-se a 22, uma alma precoce que nunca entendeu o encanto da experiência humana. Joe pode descobrir as respostas às questões mais importantes da vida, enquanto tenta desesperadamente mostrar a 22 o que há de bom em viver.


Soul: Uma Aventura com Alma


Joe estava perto de alcançar o grande sonho da sua vida quando se deparou com o maior obstáculo de todos: a morte. Vai para outra dimensão mas recusa-se a morrer. E é aí que começa a maior jornada de Joe - a de regressar ao corpo que deixou em terra. Pelo caminho tenta ajudar a personagem 22 a encontrar a sua missão e ir para a Terra, depois de muitos já o terem tentado e, consequentemente, falhado. Esta vai ser a dupla que nos vai mostrar a importância de viver cada dia como se fosse o último e aproveitar os pequenos detalhes da vida. O filme fez-se acompanhar de uma animação 2D e um jogo de iluminação muito realista, criando uma estética bem diferente ao que estamos habituados a ver noutras produções de animação. Diferente de todos os outros filmes de animação que já vi, acredito que Soul seja mais um filme para adultos do que para crianças, apesar da moral da história não ter idades.


Vivemos constantemente com o medo de não conseguirmos chegar ou ser aquilo que sempre idealizámos. Sonhamos ser futebolistas, médicos, cantores ou atores. Desejamos ser ricos, poder viajar pelo mundo todo ou construir uma família. Achamos que é esse o nosso propósito e lutamos todos os dias para conseguirmos alcançar o nosso sonho. Tanto pensamos no futuro que acabamos por nos esquecer de aproveitar o presente. Aproveitar as coisas mais simples que a vida tem para nos dar. Aproveitar uma conversa de café com os nossos amigos, aproveitar um almoço ou jantar com a nossa família, aproveitar cada caminhada e cada viagem que fazemos. Da mesma forma que a personagem 22 apreciou cada detalhe da cidade, coisas tão simples como ouvir um músico na estação de metro, comer uma fatia de pizza ou até mesmo ver as folhas a voar com o vento. E aproveitar tudo isto sem pressa. Com isto, não significa que não devamos ter um sonho, mas nunca o devemos ver como o único objetivo da vida. Porque o caminho que percorremos é tão ou mais importante como chegar ao destino. E é isso que o filme Soul nos mostra. Faz-nos refletir sobre aquilo que nos move e o que nos faz verdadeiramente feliz. Aborda as questões existenciais que, a certa altura, todos nós temos. A incerteza do que queremos ser e o medo de nunca conseguirmos alcançar os nossos sonhos. E é quando estamos às portas da morte que pensamos: será que vivemos a vida da maneira certa, ou andámos este tempo todo à espera de algo que nunca aconteceu? É um filme que aborda a busca eterna pelo sentido da vida. E era mesmo isto que eu precisava de ver - e ouvir. Foi uma verdadeira Aventura com Alma.


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